Aug 27, 2025

O futuro do Direito: compreender dados será tão importante quanto conhecer a lei

inteligência artificial

Uma imagem com dois painéis. À esquerda, em um fundo azul-escuro com formas abstratas em azul-claro, a data 11/08 e as palavras "Dia da Advogada e do Advogado" em branco. À direita, Rafael Grimaldi, um homem branco, de óculos e barba, com uma camisa azul-escura sobre uma camiseta branca, sorri levemente para a câmera, sentado à mesa em um ambiente de escritório.
Uma imagem com dois painéis. À esquerda, em um fundo azul-escuro com formas abstratas em azul-claro, a data 11/08 e as palavras "Dia da Advogada e do Advogado" em branco. À direita, Rafael Grimaldi, um homem branco, de óculos e barba, com uma camisa azul-escura sobre uma camiseta branca, sorri levemente para a câmera, sentado à mesa em um ambiente de escritório.

Todo mês de agosto, celebramos a tradição e o legado dos advogados e advogadas. Mais do que uma comemoração, este é um momento para refletir sobre os caminhos que o Direito está tomando.

Vivemos uma época de transformação, na qual a tecnologia, especialmente a inteligência artificial (IA), está remodelando o cotidiano dos profissionais do direito. O futuro do Direito não é algo distante — ele já começou a se desenhar, e cabe a cada um de nós decidir como se posicionar diante dessa mudança.

O relatório da Thomson Reuters, “Escritório de advocacia na era da IA”, vai além de um estudo: é um convite à ação. Ele indica que a inteligência artificial generativa (GenAI) será uma das forças mais impactantes nos escritórios de advocacia nos próximos anos — e essa transformação não será instantânea, mas se estenderá por uma década.

Isso não é motivo de ansiedade, mas de oportunidade. Há muito espaço para repensar processos, explorar novas formas de entregar valor e se preparar para um papel mais estratégico, criativo e conectado com a tecnologia.

O fato de 74% dos profissionais jurídicos acreditarem que a IA é uma força positiva é apenas o começo. O verdadeiro desafio é sair da experimentação – em que 64% já se aventuraram para redação e pesquisa – e abraçar a transformação.

As três ondas da revolução: uma profecia jurídica

A revolução da IA no Direito não será um evento único, mas uma evolução em três ondas sobrepostas que redesenharão o jurídica nos próximos 5 a 10 anos. 

Onda 1: a otimização implacável (1-2 anos)

A fase inicial é sobre eficiência e alavancagem. Otimizar fluxos de trabalho não é mais um luxo, é uma exigência. A pressão de clientes por redução de custos transformará a GenAI em uma condição básica de mercado. A demanda por serviços jurídicos continua a crescer, impulsionada pelas próprias disrupções da tecnologia nos negócios de nossos clientes, mas a forma de entregar esses serviços será brutalmente eficiente.

Onda 2: a reengenharia do mercado (3-5+ anos)

Esta é a fase da verdade, onde a hierarquia tradicional do Direito começa a desmoronar. A estrutura piramidal, com sua dependência de advogados juniores para tarefas repetitivas, será esmagada. O relatório da Thomson Reuters prevê menos advogados e mais tecnologia, com o meio do mercado sendo impiedosamente espremido. A precificação migrará do modelo de horas para o de valor, onde a expertise e o aconselhamento estratégico se tornam a moeda mais forte.

Onda 3: a ascensão dos vencedores (5-10 anos)

A última onda é a consolidação. O cenário jurídico se bifurcará: de um lado, os vencedores da IA – grandes firmas e especialistas que dominaram a tecnologia – e do outro, aqueles que ficaram para trás. Modelos de entrega de serviços serão reformulados, com a IA atuando de forma autônoma e autossuficiente em muitas áreas. O conhecimento de um advogado será reequilibrado com a qualidade da interação e a parceria com o cliente, conforme reporta a KPMG em "The Future of Legal Departments".

Como a Goldman Sachs Research já demonstrou, a mudança tecnológica tende a impulsionar a demanda por novas ocupações. A história prova que 60% dos trabalhadores dos EUA hoje estão em ocupações que simplesmente não existiam em 1940. A IA não acabará com a profissão, mas sim recriará o profissional.

As novas habilidades jurídicas e um novo modelo econômico

A era da IA exige um novo modelo econômico. Não se trata de ajustes, mas de uma reescrita completa. O citado relatório da KPMG afirma que 

"compreender dados será tão importante quanto conhecer a lei". 

A visão revolucionária é que a IA não é uma ferramenta, mas uma parceira estratégica que desbloqueia valor a partir de dados jurídicos, permitindo uma análise preditiva e insights mais ricos, como destaca o relatório "From data to wisdom", da KPGM.

Algumas mudanças previstas:
  • Precificação jurídica: espere uma redução de até 40% nas horas faturáveis para serviços clássicos, como aponta a Thomson Reuters. A compensação virá de um foco em trabalho consultivo de alto valor e da adoção de acordos de honorários alternativos (AFAs).


  • Serviços baseados em tecnologia: até 20% dos serviços podem se tornar altamente comoditizados, com uma queda de 80% nas horas faturáveis, mas gerando margens maiores devido ao aumento da demanda por preços mais baixos.


  • Recursos e Habilidades: a necessidade de uma força de trabalho genuinamente multidisciplinar é imperativa. A GenAI criará novos papéis em engenharia de prompt, curadoria de dados e gestão do conhecimento, exigindo que advogados e advogadas desenvolvam fluência em tecnologia e dados, algo crucial para se tornarem um parceiro estratégico.

Leia mais: a transformação da carreira jurídica

O veredito final: ação ou obsolescência

A indústria jurídica sempre se moveu em passos calculados. A GenAI, no entanto, é um catalisador de mudança que exige uma transformação abrangente. Os dados são claros: a falta de políticas (52% das organizações não as possuem) e de treinamento (64% dos profissionais não receberam nenhum) é uma receita para a obsolescência, segundo o 2025 Generative AI in Professional Services Report, da Thomson Reuters

O sucesso não será para os hesitantes, mas para os ousados que enxergam a tecnologia não como um competidor, mas como o motor de um novo Direito.

Abrace o imperativo estratégico, invista em aprendizado contínuo, e redefina seu modelo de negócio. O Futuro do Direito é para aqueles que se recusam a ficar à margem. A revolução está em andamento. Onde você estará quando o veredicto for proferido?

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