Future of Professionals 2026: o mercado jurídico entrou na fase estratégica

Uma jovem profissional de blazer preto e camisa creme olha para cima com um sorriso confiante, com arranha-céus de uma cidade grande ao fundo. Inspira blog post.

O Future of Professionals 2026, estudo global da Thomson Reuters, registrou que 74% dos profissionais jurídicos usam IA várias vezes por semana. O debate sobre se vale usar tecnologia no Direito perdeu o objeto. Agora, o que separa escritórios que crescem dos que perdem clientes e talentos é a qualidade da execução, e esse gap tem custo mensurável para quem ainda não resolveu.

O mercado jurídico já usa IA

Por anos, o debate no mercado jurídico girou em torno de um tema: usar ou não usar IA. Essa discussão consumiu espaço em congressos, pautas de reunião e conversas de corredor. 

Em 2026, ela perdeu o objeto.

O relatório da Thomson Reuters mostra que a maioria dos profissionais jurídicos já usa IA regularmente. Pesquisa jurisprudencial, revisão de documentos e resumo de decisões lideram as aplicações. Em muitos escritórios, essas tarefas já não se concebem sem suporte tecnológico.

O que está em disputa agora não é mais a decisão de usar. É a qualidade da escolha que a acompanha.

O gap que nenhum escritório pode ignorar

Adotar é simples. Gerar valor consistente com a tecnologia é mais difícil. E os dados do estudo mostram exatamente esse divórcio entre presença e resultado.

91% dos profissionais dizem que suas organizações ficam aquém do potencial que a IA poderia entregar. O relatório chama esse fenômeno de AI value gap, a experiência da maioria absoluta de profissionais que já usam a tecnologia.

O gap tem uma causa identificável: onde não existe uma estratégia clara de IA, só 22% dos profissionais dizem que a ferramenta atende às expectativas. Onde uma estratégia está em vigor, esse índice sobe substancialmente. A diferença não está na tecnologia, mas sim na intencionalidade com que o escritório a organiza.

Além disso, apenas 35% dos profissionais enxergam a estratégia de IA da sua organização refletida no trabalho diário – quase 1 em cada 5 diz que a organização ainda não tem uma direção clara.

Uma executiva concentrada trabalha em seu laptop em um escritório bem iluminado, com expressão focada. Inspira blog post.

Onde o gap cobra o preço

O gap de execução não é só ineficiência operacional. Ele se traduz em perdas concretas em três frentes.

Talentos. 

1 em cada 4 profissionais considera mudar de emprego nos próximos dois anos se a IA não entregar o valor esperado. O custo estimado de substituição por profissional é de US$ 232 mil. Os que tendem a sair são os de carreira intermediária: os que já integram IA à rotina e sabem o que é possível quando a ferramenta funciona bem. Para escritórios que investiram anos no desenvolvimento dessas pessoas, a perda é dupla.

Clientes. 

78% dos clientes corporativos dizem que melhorias de qualidade habilitadas por IA são muito importantes ou essenciais na escolha de seus fornecedores jurídicos. Só 6% afirmam que a maioria dos seus fornecedores realmente entrega isso. Essa assimetria já se traduz em revisão de relações: 32% dos clientes reavaliaram ou planejam reavaliar vínculos com escritórios que percebem como atrasados. Entre eles, um terço estima que mais de US$ 1 milhão em trabalho anual está em discussão.

Governança. 

34% dos profissionais usam ferramentas de IA que a organização não aprovou, em contextos que ela não monitora. O estudo chama isso de shadow AI. Em serviços jurídicos, onde erros têm consequências reais e o sigilo é obrigação, esse comportamento não é só risco individual, mas institucional.

Por que ter acesso à ferramenta não basta

Um ponto que o relatório sublinha merece atenção especial: ter acesso a uma ferramenta de IA não é o mesmo que ter uma estratégia de IA.

Organizações que apresentam resultados melhores combinam três elementos: uma ferramenta com padrão técnico adequado ao contexto profissional, clareza interna sobre onde e como usá-la, e uma cultura de uso que não depende de escolhas individuais de cada profissional.

O shadow AI é sintoma de escritórios onde a governança não acompanhou a adoção. Profissionais recorrem a ferramentas não aprovadas porque as ferramentas aprovadas não entregam o que precisam. A solução não é proibir. É estruturar.

Escritórios que trabalham com a Inspira constroem esse processo com suporte: da configuração do acervo jurisprudencial relevante para a área de atuação até a padronização de como as equipes pesquisam e compartilham conhecimento. 

O WK Advogados, por exemplo, registrou ganho de 90% no tempo de compartilhamento de conhecimento jurídico dentro do escritório depois de estruturar esse fluxo com a ferramenta.

Um executivo experiente de óculos aponta para a tela de um laptop, explicando algo para um colega mais jovem em um escritório corporativo. Inspira blog post.

Perguntas frequentes 

O que é o AI value gap no Direito?

É a diferença entre o potencial que os profissionais reconhecem na IA e os resultados que suas organizações efetivamente entregam com a tecnologia. Segundo o Future of Professionals 2026 (Thomson Reuters), 91% dos profissionais jurídicos sentem esse gap. Ele se manifesta como frustração com ferramentas que não atendem, falta de direção clara e subutilização das capacidades disponíveis.

O que é shadow AI e por que representa risco para escritórios?

Shadow AI é o uso de ferramentas de IA sem aprovação organizacional, em contextos que a organização não monitora. O relatório da Thomson Reuters aponta que 34% dos profissionais fazem isso. Em serviços jurídicos, esse comportamento expõe o escritório a riscos de vazamento de dados confidenciais, a erros gerados por ferramentas sem padrão técnico adequado e a vulnerabilidades de compliance.

Escritórios menores também precisam de estratégia de IA?

Sim. A pressão de clientes corporativos por qualidade habilitada por IA afeta fornecedores de todos os portes. O relatório mostra que 78% dos clientes consideram isso muito importante ou essencial, independentemente do tamanho do prestador. Escritórios menores, em geral, têm mais agilidade para estruturar essa estratégia com menos burocracia interna.

IA jurídica pode substituir advogadas e advogados?

Não. O que a IA jurídica faz é ampliar a capacidade de quem exerce o Direito: mais decisões pesquisadas em menos tempo, análise de documentos com maior cobertura, identificação de tendências de julgamento que seriam invisíveis numa pesquisa manual. O raciocínio jurídico, a estratégia processual e o relacionamento com o cliente continuam sendo exclusivamente humanos.

Uma executiva sorri suavemente enquanto trabalha em seu laptop em um escritório moderno, com a luz do pôr do sol refletindo nas janelas de vidro. Inspira blog post.

Future of Professionals 2026: um resumo

O Future of Professionals 2026 não descreve um cenário futuro. Descreve o que escritórios de advocacia e departamentos jurídicos estão vivendo agora, em tempo real. As organizações que saem à frente não são necessariamente as maiores. São as que pararam de tratar IA como experimento. Para elas, IA é infraestrutura.

Para o mercado jurídico brasileiro, com sua complexidade processual e volume de jurisprudência, essa decisão tem um componente adicional: a ferramenta precisa ter sido construída para o Direito brasileiro, não apenas adaptada a ele.

Um banner horizontal com fundo roxo e a imagem desfocada de um notebook ao fundo. À esquerda, um ícone azul de uma 'S' entrelaçada. No centro, o texto preto: "A Inspira executa. Você advoga. Pesquisa, análise e escrita em um único ambiente."