Feb 19, 2026
Produtividade x risco: o dilema da IA generativa na advocacia
inteligência artificial
IA no Direito
A inteligência artificial generativa (GenAI) deixou de ser tendência para se tornar rotina em escritórios e departamentos jurídicos. Ferramentas conhecidas de conversação, produção de textos e assistentes baseados em Large Language Models (LLMs) já apoiam pesquisa jurídica, elaboração de minutas, revisão de contratos e organização de informações.
Os ganhos são evidentes. Segundo o relatório The State of Data & AI Literacy 2025, 84% das lideranças afirmam que o uso de IA generativa aumentou a produtividade das equipes. No entanto, o mesmo estudo aponta que 30% observaram aumento de alucinações (respostas factualmente incorretas) e 30% identificaram amplificação de vieses.
Estamos, portanto, diante de um dilema real: como capturar eficiência sem comprometer segurança, ética e responsabilidade profissional?
A promessa da IA generativa na advocacia
No Direito, a IA se tornou especialmente atrativa por sua capacidade de lidar com texto — o principal insumo da prática jurídica.
Na rotina jurídica, a IA generativa tem sido utilizada para:
estruturar rascunhos iniciais de petições;
resumir decisões judiciais extensas;
organizar argumentos;
apoiar pesquisas preliminares;
sugerir estratégias com base em padrões textuais.
Isso reduz significativamente o tempo dedicado a tarefas repetitivas e operacionais. A produtividade aumenta porque a advogada e o advogado deixam de começar do zero.
No entanto, é importante entender que a IA generativa não compreende o Direito. Ela identifica padrões linguísticos. Essa diferença é crucial.
Leia mais: Cinco coisas que advogados precisam saber sobre IA Generativa
O risco das alucinações na IA jurídica
Um dos principais problemas associados à IA generativa é a chamada alucinação. O modelo pode produzir uma resposta tecnicamente plausível, mas factualmente incorreta.
No contexto da advocacia, isso pode significar:
citação de jurisprudência inexistente;
referência a dispositivos legais incorretos;
interpretação imprecisa de precedentes;
construção de fundamentos sem respaldo normativo.
Segundo a reportagem The Reality of AI Hallucinations in 2025, do Drain Pipe , as taxas médias de alucinação em informações jurídicas podem alcançar 6,4% mesmo nos melhores modelos, chegando a 18,7% na média geral.
Em outras áreas altamente reguladas, os índices também são expressivos:
na área médica, variam de 4,3% a 15,6%;
em dados financeiros, de 2,1% a 13,8%;
em pesquisa científica, de 3,7% a 16,9%.
Ou seja, mesmo nos sistemas mais avançados de IA generativa, a margem de erro não é irrelevante — especialmente em setores que exigem precisão técnica.
Na área jurídica, onde cada argumento pode impactar diretamente direitos, confiança e reputação, uma taxa de erro de dois dígitos não é aceitável sem revisão qualificada.
Por isso, a discussão sobre IA jurídica não pode ignorar a necessidade de validação humana e uso de bases confiáveis. A produtividade proporcionada pela IA para advogados só é vantajosa quando acompanhada de controle e verificação técnica.
Leia mais: Por que você não deveria usar uma IA genérica para escrever suas peças jurídicas
IA genérica x IA jurídica: por que essa diferença importa
Grande parte das discussões sobre riscos da IA generativa no Direito parte de um ponto central que nem sempre é explicitado: nem toda inteligência artificial é igual.
Quando falamos das genéricas, estamos nos referindo a modelos amplos, treinados com grandes volumes de dados da internet, livros, fóruns e conteúdos diversos. Esses sistemas foram projetados para responder a qualquer tipo de pergunta — de receitas culinárias a conceitos jurídicos complexos.
Já a IA jurídica especializada parte de uma lógica diferente: ela é construída para operar dentro do contexto normativo, com base estruturada, fontes controladas e foco exclusivo na prática jurídica.
Essa diferença impacta diretamente quatro dimensões críticas.
Fonte e qualidade da base de dados
Modelos genéricos aprendem com conteúdos variados da internet, livros e bancos de dados amplos. Isso amplia repertório, mas também aumenta o risco de mistura de sistemas jurídicos, referências desatualizadas ou informações não verificadas.
Uma IA jurídica especializada, como a Inspira, é alimentada por base de dados confiável, estruturada e atualizada diariamente. Isso significa trabalhar com conteúdo jurídico validado, reduzindo o risco de referências inexistentes ou desconectadas da realidade normativa brasileira.
Redução de alucinação e maior aderência técnica
Como visto anteriormente, taxas de alucinação podem atingir percentuais relevantes mesmo nos melhores modelos.
Quando a IA generativa opera sobre base ampla e não especializada, o risco de preenchimento probabilístico aumenta. O modelo pode gerar uma resposta formalmente adequada, mas tecnicamente incorreta.
Ao utilizar uma IA jurídica desenvolvida por e para advogados, o ambiente de geração tende a ser mais controlado. A especialização não elimina a necessidade de revisão humana — mas reduz a margem de erro estrutural.
Responsabilidade profissional e ambiente de segurança
No exercício da advocacia, o profissional responde pelo conteúdo que assina. A IA no Direito deve ser instrumento de apoio, não substituto de julgamento técnico.
Ao optar por uma IA jurídica especializada, o profissional passa a atuar em um ambiente com maior previsibilidade e aderência ao contexto normativo.
Ferramentas como a Inspira não são apenas modelos de linguagem adaptados; elas são estruturadas com foco jurídico, curadoria técnica e atualização constante. Isso cria um ecossistema mais seguro para o uso de IA na prática profissional.
O futuro da IA jurídica depende de critério
A IA já provou seu valor no setor jurídico. O aumento de produtividade é mensurável e concreto. Escritórios que incorporam inteligência artificial no Direito conseguem acelerar tarefas, organizar informações complexas e liberar tempo para atuação estratégica.
Mas os dados também deixam claro que o risco não é residual. Alucinações, vieses e desatualização normativa fazem parte do funcionamento estrutural de modelos amplos de IA generativa. No contexto da advocacia, onde cada argumento pode impactar direitos, patrimônio e reputação, essa margem de erro não pode ser ignorada.
A IA para advogados precisa operar dentro de um ambiente de governança, revisão humana qualificada e, principalmente, com base confiável e atualizada. Ferramentas genéricas podem ser úteis para tarefas amplas, mas o Direito exige precisão normativa, rastreabilidade e aderência ao ordenamento jurídico brasileiro.
É nesse ponto que a IA jurídica especializada se diferencia. Ferramentas como a Inspira foram desenvolvidas para advogados, com base de dados estruturada e atualizada diariamente, criando um ecossistema mais seguro para aplicação da inteligência artificial na prática jurídica.




