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IA na prática jurídica: o que dizem sócios do Demarest

Sala de reunião vazia com mesa de madeira, laptops abertos e vista da cidade ao entardecer. Blog post Inspira.

Advogadas e advogados experientes não veem a IA jurídica como substituta do raciocínio técnico. Mas como uma camada que acelera a pesquisa e aponta riscos que passariam batido. É o que mostram os depoimentos de Gisele Bossa e Roberto Casarini, sócios da área Tributária do Demarest, sobre como a inteligência artificial mudou (e não mudou) a rotina de um escritório full service.

Os dois falam de dentro do problema: décadas de prática em contencioso e consultoria tributária, decisões que precisam ser defendidas para clientes que não perdoam erro. E é justamente esse olhar de quem decide, não de quem observa de fora, que dá peso ao que eles dizem sobre jurimetria, inteligência artificial e os limites de cada uma.

Da jurimetria à inteligência artificial: uma evolução que não começou agora

Há quem diga que a IA jurídica é um fenômeno recente, quase espontâneo. Gisele Bossa discorda, e recua no tempo para explicar por quê.

Segundo ela, a virada relevante começou com a Lei de Acesso à Informação, quando tribunais e administrações tributárias passaram a ser obrigados a justificar seus próprios números. 

"Nós passamos por algumas ondas evolutivas e talvez a mais importante acabou sendo a partir da Lei de Acesso à Informação. [...] Esses dados que estão sendo trabalhados e foram sendo disponibilizados acabaram dando repertório para ferramentas como a Inspira." Gisele Bossa, sócia Tributária do Demarest

Roberto Casarini reforça essa linha histórica com um detalhe pessoal: conheceu a Inspira quando a empresa começava. O que o convenceu não foi a promessa, foi o diagnóstico. Naquele momento, ele já sentia que as ferramentas disponíveis no mercado não davam a agilidade nem a cobertura de tribunais que a prática tributária exigia.

Esse é o primeiro ponto que os manuais sobre IA jurídica costumam pular: a tecnologia não nasceu para resolver um problema abstrato de modernização. Nasceu para resolver uma dor operacional concreta, que já existia antes da IA generativa virar assunto de manchete.

Advogada escrevendo anotações à mão ao lado do notebook aberto em ambiente de trabalho. Blog post Inspira.

O que a IA jurídica resolve, segundo quem usa todos os dias

Tirando o histórico de lado, o que muda de fato na rotina de um sócio tributarista? Roberto Casarini resume em dois eixos: agilidade e qualificação da resposta.

Agilidade sem abrir mão de ressalva

Para Casarini, o valor da ferramenta certa não está só em ir mais rápido. Está em ganhar rapidez sem perder segurança sobre o que foi de fato coberto na análise.

"A grande vantagem de ter as ferramentas adequadas tecnológicas é, de um lado, acelerar o processo e, do outro, a gente ter segurança se estamos abordando o tema da melhor maneira, se não tem alguma coisa que deixamos de citar, ainda que não como resposta, mas como ressalva." Roberto Casarini, sócio do Tributário no Demarest

Note o vocabulário: "ressalva", "viés não abordado", "questão não aprofundada". Não é o tipo de linguagem que aparece em pitch de produto. É a linguagem de quem usa a ferramenta para se proteger de lacuna, não só para ganhar tempo.

O diálogo humano-máquina como diferencial

Casarini chama esse processo de "diálogo humano máquina". A IA levanta o mapeamento inicial de riscos e oportunidades; o advogado revisa, contextualiza e assume a resposta final. Nenhuma das duas etapas substitui a outra.

Gisele Bossa concorda com o formato, mas amplia a régua: para ela, o próximo desafio não é só conectar jurimetria a dados. É garantir que as respostas geradas por IA cheguem com grau crítico de comparabilidade, algo que hoje ainda é incipiente na maioria das ferramentas do mercado.

Os limites que os dois não deixam de mencionar

O que chama atenção nos dois depoimentos é a ausência de entusiasmo ingênuo. Nenhum dos dois trata a IA como panaceia, e os dois voltam, de formas diferentes, ao mesmo ponto: existe um tipo de trabalho que a tecnologia ainda não alcança.

Roberto Casarini é o mais direto nesse contraponto:

"O trabalho humano, a construção de pensamento e linguagem, é algo eminentemente humano. As ferramentas aceleram processos, mas elas nunca vão conseguir entregar a resposta final, especialmente nos trabalhos de maior complexidade." Roberto Casarini, sócio do Tributário no Demarest

A distinção que ele traça é útil para qualquer escritório avaliando onde aplicar IA: trabalhos automatizados e corriqueiros, a ferramenta resolve bem, inclusive um primeiro rascunho revisável em pouco tempo. Nos grandes casos, nas questões que definem uma tese ou um resultado relevante para o cliente, a tecnologia acelera etapas, mas não assina a resposta.

Profissional do Direito lendo documento impresso em frente a monitores no escritório. Blog post Inspira.

Alucinação e resistência: os dois lados do mesmo problema

Gisele Bossa nomeia o que muitos artigos sobre IA jurídica evitam dizer com essa clareza: alucinação ainda é um risco real, e a resistência interna das equipes também é um obstáculo real, tão relevante quanto o técnico.

"Ainda assistimos a uma dificuldade, até uma resistência dos próprios times em enfrentar, comparar e tirar o melhor da tecnologia. Porque no final do dia, todo mundo teme que a própria tecnologia aprenda mais rapidamente e nos substitua." Gisele Bossa, sócia Tributária do Demarest

Vale registrar essa fala inteira, porque ela nomeia algo que quase nunca aparece em conteúdo institucional sobre IA jurídica: o medo. Não é irracional. É um fator de adoção tão relevante quanto qualquer limitação técnica, e ignorá-lo é uma das razões pelas quais projetos de tecnologia jurídica travam dentro de escritórios grandes.

Como a Inspira aparece nesse processo

Os dois depoimentos descrevem a Inspira como parte de um portfólio de ferramentas usado no dia a dia, não como substituta de nenhuma das etapas de julgamento profissional. É exatamente esse o papel que a ferramenta busca cumprir: reunir jurimetria, pesquisa de decisões e análise documental num só ambiente, para que a etapa manual e repetitiva encolha e a etapa de revisão crítica do advogado ganhe tempo.

Roberto Casarini descreve o relacionamento com a equipe da Inspira como "profícuo" e cita algo específico: sugestões de melhoria levadas ao time e implementadas na prática. Isso é coerente com um dos pilares do produto: a base de dados da Inspira reúne mais de 83 milhões de decisões, coletadas em mais de 86 tribunais brasileiros, com atualização diária. É esse volume que sustenta o tipo de jurimetria comparativa que Gisele Bossa descreve como diferencial desde os anos 2000.

Na prática, o que os depoimentos dos sócios do Demarest confirmam é algo que vemos repetidamente em escritórios full service: o ganho real não vem de trocar o trabalho do advogado por IA. Vem de comprimir o tempo gasto em busca e organização de dados, para que sobre mais tempo para a parte do trabalho que exige julgamento.

Profissional em traje social consultando o smartphone em poltrona de escritório. Blog post Inspira.

Perguntas frequentes

O que advogados experientes pensam sobre o uso de IA na advocacia?

Sócios como Gisele Bossa e Roberto Casarini, do Demarest, descrevem a IA como um ganho real de agilidade e qualificação de resposta, mas não como substituta do julgamento humano em casos complexos. O consenso entre eles é que a tecnologia acelera etapas de pesquisa e mapeamento de risco, e o advogado continua responsável pela resposta final ao cliente.

A inteligência artificial substitui o trabalho de um advogado tributarista?

Não, segundo os próprios profissionais que a usam diariamente. Roberto Casarini é claro ao afirmar que a construção de pensamento jurídico é um trabalho eminentemente humano, especialmente em casos de maior complexidade. A IA reduz o tempo gasto em tarefas mais automatizadas e corriqueiras.

O que é jurimetria e qual sua relação com a IA jurídica?

Jurimetria é a análise estatística de decisões judiciais e administrativas para identificar padrões, tendências e probabilidades de resultado. A IA jurídica se conecta a esse conceito ao processar volumes muito maiores de decisões e cruzar esses dados com uma análise mais crítica e comparada, o que amplia a precisão do diagnóstico.

Quais são os principais riscos do uso de IA na prática jurídica?

Os riscos citados por advogados experientes incluem alucinação (respostas geradas sem base real em jurisprudência ou fato) e a resistência interna das próprias equipes em adotar a tecnologia. Por isso, a revisão humana continua obrigatória, principalmente em casos de maior complexidade ou impacto para o cliente.

Como escritórios full service, como o Demarest, usam IA no dia a dia?

Escritórios full service costumam usar IA jurídica como parte de um portfólio de ferramentas, aplicada à pesquisa de decisões, jurimetria e organização de conhecimento jurídico. A tecnologia entra como apoio a diferentes práticas (tributário, contencioso, consultoria), sem concentrar todo o processo de decisão em uma única ferramenta.