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Jan 19, 2026

Por que 2026 será o ano da inteligência agêntica

inteligência artificial

tecnologia

Interior arquitetônico futurista com grandes paredes curvas de concreto que formam arcos orgânicos. A iluminação geral é azulada e dramática, contrastando com luzes quentes embutidas no piso e nas paredes. Um espelho d'água sereno corre pelo centro do espaço, refletindo as formas curvas e a luz.
Interior arquitetônico futurista com grandes paredes curvas de concreto que formam arcos orgânicos. A iluminação geral é azulada e dramática, contrastando com luzes quentes embutidas no piso e nas paredes. Um espelho d'água sereno corre pelo centro do espaço, refletindo as formas curvas e a luz.

O ano de 2026 marca um ponto de inflexão decisivo para o setor jurídico. Se os últimos anos foram definidos pela experimentação com a inteligência artificial generativa, o futuro próximo será definido pela sua integração operacional profunda, o que é conhecido como IA agêntica.

Afinal, você já ouviu falar sobre esse conceito? 

Mais da metade das advogadas e advogados de escritórios que responderam à recente pesquisa State of Practice (2025), da Bloomberg Law, desconhecia a IA agêntica, comparado a pouco mais de 30% de seus pares em departamentos jurídicos internos.

Gráfico de pesquisa mostrando que departamentos jurídicos internos estão mais avançados no uso de IA agêntica do que escritórios de advocacia. Enquanto 57% dos advogados de escritórios nunca ouviram falar da tecnologia, o número cai para 30% no jurídico interno. No uso profissional efetivo, o jurídico interno lidera com 12% contra apenas 4% dos escritórios
Gráfico de pesquisa mostrando que departamentos jurídicos internos estão mais avançados no uso de IA agêntica do que escritórios de advocacia. Enquanto 57% dos advogados de escritórios nunca ouviram falar da tecnologia, o número cai para 30% no jurídico interno. No uso profissional efetivo, o jurídico interno lidera com 12% contra apenas 4% dos escritórios

O conceito simples: do pensador ao fazedor

Até agora, a maioria das IAs funciona como uma consultora. Você faz uma pergunta, ela dá uma resposta, escreve um texto ou resume um documento. Mas, depois que te responde, o trabalho volta para você: 

Você tem que enviar o e-mail, você tem que clicar no botão, você tem que marcar a reunião.

A IA Agêntica não serve apenas para interagir, mas para realizar ações concretas de forma independente. Ela funciona como um agente autônomo e por esse motivo recebe o nome agêntica.

O que torna a IA Agêntica especial são três capacidades principais que as anteriores não tinham de forma integrada:

  • Raciocínio de planejamento: ela não apenas prevê a próxima palavra de um texto. Ela quebra um objetivo grande (organizar uma reunião) em passos menores (verificar agendas, reservar sala, enviar convites).

  • Uso de ferramentas (Tool Use): ela consegue acessar a internet, abrir o Excel, enviar e-mails, usar um software da empresa ou interagir com outros aplicativos.

  • Ciclo de feedback: se ela tenta reservar um voo e o site dá erro, ela  tenta outra companhia aérea, em vez de apenas parar e te devolver uma mensagem de erro.


Gráfico de barras comparativo intitulado 'Advogados de escritórios ficam atrás do jurídico interno na experiência com IA agêntica'. Os dados mostram que 57% dos advogados de escritórios nunca ouviram falar da tecnologia, contra 30% do jurídico interno. Apenas 4% dos advogados de escritório já usam a IA agêntica em ambiente profissional, enquanto esse número sobe para 12% no jurídico interno. Fonte: Pesquisa State of Practice 2025, da Bloomberg Law.
Gráfico de barras comparativo intitulado 'Advogados de escritórios ficam atrás do jurídico interno na experiência com IA agêntica'. Os dados mostram que 57% dos advogados de escritórios nunca ouviram falar da tecnologia, contra 30% do jurídico interno. Apenas 4% dos advogados de escritório já usam a IA agêntica em ambiente profissional, enquanto esse número sobe para 12% no jurídico interno. Fonte: Pesquisa State of Practice 2025, da Bloomberg Law.

No contexto jurídico, a diferença é brutal:

  • IA comum: o advogado pede para a IA resumir um contrato. A IA resume. O advogado lê e envia o e-mail para o cliente.

  • IA agêntica: o advogado diz "revise este contrato e notifique o cliente sobre os riscos". A IA lê, identifica os riscos, abre o Outlook, escreve o e-mail formal e o deixa nos rascunhos (ou envia), anexando o relatório que ela mesma criou.

O dilema das horas faturáveis: por que os escritórios ficaram para trás na IA Agêntica

O Relatório Legal Trends 2026, da Bloomberg Law, expõe um descompasso preocupante no mercado jurídico: os escritórios de advocacia estão significativamente atrasados em relação aos seus clientes corporativos na adoção da IA agêntica — sistemas proativos capazes de agir com autonomia. 

Para 2026, torna-se imperativo que os escritórios eliminem essa lacuna. Essa urgência não é apenas comercial, impulsionada pela demanda dos clientes, mas também técnica e ética, visto que essa tecnologia oferece soluções para as alucinações da IA e se alinha às crescentes obrigações de competência tecnológica da profissão

Ainda segundo o relatório da Bloomberg Law (2026), essa lacuna na adoção não é acidental; ela reflete diferenças profundas na estrutura de incentivos do mercado. Uma das principais explicações para a disparidade reside na natureza dos fluxos de trabalho

Enquanto os departamentos jurídicos internos (in-house) focam em análise de risco e gestão operacional — tarefas onde a IA agêntica brilha —, os escritórios de advocacia permanecem atrelados ao modelo de horas faturáveis. Esse sistema cria um desincentivo perverso: aprender e implementar uma IA que acelera o trabalho significa, no curto prazo, menos horas para cobrar. 

Fechando a lacuna

Para fechar essa lacuna, a inércia não é opção. O relatório recomenda a criação imediata de um Modelo de Governança de IA Agêntica, estabelecendo políticas iniciais para aprender e evoluir com a tecnologia. Paralelamente, o treinamento proativo de sócios e colaboradores é indispensável para preparar o terreno. Mais do que uma nova ferramenta, a IA agêntica tende a ser o catalisador que finalmente forçará a modernização estrutural dos escritórios, redefinindo desde modelos de cobrança até práticas de contratação. 

Conforme aponta o Lexology (2025), a IA baseada em agentes assume o núcleo da operação jurídica. A previsão é que, em 2026, a tecnologia deixe de ser apenas uma geradora de rascunhos para atuar como um verdadeiro parceiro digital, gerenciando fluxos completos.

Na prática, isso significa que agentes de IA realizarão a triagem de novos casos, coleta de documentos e até suporte estratégico à decisão, conectando processos e fazendo gestão de conhecimento. O artigo ressalta que, para as equipes de Legal Ops, esse cenário exige repensar a alocação de recursos: enquanto os agentes cuidam de tarefas de menor risco, o time humano deve focar em atividades estratégicas e na criação de modelos de governança para fiscalizar a autonomia desses sistemas.

Leia mais: O que empresas de alta performance fazem de diferente com IA?

Da experimentação à transformação estrutural

Em 2026, a discussão sobre inteligência artificial no Direito deixará de ser conceitual para se tornar inevitavelmente prática. A IA agêntica não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma mudança estrutural na forma como o trabalho jurídico é concebido, executado e valorizado. 

Escritórios que insistirem em enxergá-la apenas como uma ameaça ao modelo tradicional de horas faturáveis correm o risco de aprofundar ainda mais a distância em relação a clientes e departamentos jurídicos já orientados por eficiência, automação e gestão de risco. 

Por outro lado, aqueles que compreenderem a IA agêntica como uma aliada estratégica, capaz de assumir tarefas operacionais, reduzir erros e liberar tempo humano para decisões de alto impacto, estarão melhor posicionados para liderar o próximo ciclo do mercado jurídico. O futuro não será definido por quem usa IA, mas por quem souber governá-la, integrá-la e transformá-la em vantagem competitiva real.

Uma imagem em tons escuros de uma flor azul, com pétalas delicadas e um miolo em tons de roxo, em um fundo preto.

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Inspira Tecnologia da Informação LTDA - CNPJ: 41.308.086/0001-00

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