
Como criamos o filme "Inspira. IA jurídica de verdade."

— O processo importa tanto quanto o resultado.
Existe um tipo de projeto que te lembra por que você escolheu trabalhar com criação.
Esse foi um deles.
O desafio era claro, mas cheio de camadas: criar um filme que traduzisse, em menos de dois minutos, a diferença entre usar uma IA genérica no Direito e usar a Inspira. Não de forma explicativa. De forma visceral. Que você sentisse antes de entender.
Hoje, vou compartilhar como foi esse processo, do zero ao filme final, inteiramente desenvolvido com IA, do roteiro até as etapas de pós-produção nas ferramentas da Adobe.
1. O briefing: de onde tudo começa
Precisávamos de um vídeo que fizesse o espectador sentir duas coisas em sequência: a insegurança de depender de uma ferramenta que parece certa, mas não é; e a solidez de uma IA construída para o Direito, com rastreabilidade, precisão e responsabilidade técnica.
O problema não era de produto. Era de percepção. E percepção se muda com narrativa, não com feature list.
2. O manifesto: a base de tudo

A Fernanda Lacotix foi a primeira a colocar a mão na massa. Ela estruturou o roteiro de manifesto, um texto que não tinha função de script ainda, mas de bússola. Era a alma do que queríamos dizer, antes de qualquer decisão visual ou narrativa.
Frases como "uma jurisprudência inventada não é um erro criativo. É uma falha ética" definiram o tom de tudo que veio depois. Essa etapa é inegociável: sem manifesto sólido, a direção criativa trabalha no escuro.
3. Do manifesto para a história: o storytelling cena a cena
Com o manifesto na mão, a direção criativa (eu) e a direção de arte (Nilton Pereira) entramos em ação para transformar aquele texto em história visual.
O trabalho aqui foi de dramaturgia aplicada: quebrar a narrativa em atos, definir a protagonista, criar a jornada emocional. A estrutura virou um roteiro técnico com descrição de cena, ação de câmera, locução e nota de direção. Porque quando você vai para geração de imagem com IA, a precisão do prompt começa muito antes do prompt em si.
Três atos: setup, conflito e resolução. Uma advogada. Uma cidade que respira tensão. E uma virada que precisava ser sentida, não explicada.

4. Direção visual: referências, pesquisa e moodboard

Antes de gerar qualquer imagem, passamos por uma fase essencial de curadoria visual. Pesquisa de referências, definição de paleta, arquitetura de luz, tipo de composição de quadro, estética de personagem.
O moodboard não é enfeite. É onde você decide o que o filme vai parecer antes de existir. Paleta fria para o conflito, arquitetura limpa e contemporânea, iluminação dramática controlada. Uma estética que comunicasse competência e peso sem virar corporativo genérico.
5. Geração de imagens: construindo o universo visual
Com a direção visual definida, começamos a geração das imagens. Personagens, figurino, expressões, ambientes, ângulos de câmera: tudo a partir de prompts construídos com a mesma precisão de um briefing de fotografia.
Essa fase é intensa em exploração e curadoria. Você gera muito para escolher pouco. O critério de seleção não é "ficou bonito", é "isso serve à história?". Consistência visual entre cenas, coerência emocional entre personagens, aderência ao moodboard. É trabalho de direção de arte, com outra ferramenta.

6. Animação: dando vida às imagens
Depois da seleção das imagens que comporiam o filme, chegou a hora de animá-las. Prompts de vídeo para cada cena: movimentos de câmera, ritmo de ação, sensação de profundidade. Tracking, dolly, close, steadicam — linguagem cinematográfica traduzida para instrução de IA generativa.
O Nilton Pereira e o Daivson Barbosa (motion designer) foram fundamentais nessa etapa, junto comigo, para garantir que a animação entregasse o que o roteiro pedia e não apenas movimento pelo movimento.
7. Locução: voz com intenção
A locução foi construída no ElevenLabs. Foi aqui que o Daivson entrou 100% no processo, para garantir que a voz tivesse a performance certa. A direção de tom foi aplicada diretamente nas marcações do texto com ajuda da Isabela Barbosa, nossa especialista de marca, para acertar o sentimento transmitido: [thoughtful], [serious], [warning], [reassuring]. Cada tag é uma instrução de performance, e a diferença entre uma voz genérica e uma voz com cara própria está exatamente aqui.
Não queríamos o locutor padrão de vídeo institucional. Queríamos uma presença que fosse parte da narrativa.
8. Edição: onde o filme ganha ritmo
Com as animações selecionadas e a locução pronta, o Daivson montou a timeline no Adobe Premiere. Esse é o momento em que o filme vira filme: cortes, ritmo, cor, trilha e sound design se juntam para criar a experiência de assistir.
A mixagem de trilha e os inserts de sound fx são o que ambienta o filme. O que faz a cena da porta ter peso. O que faz a transição entre o conflito e a resolução ser sentida no corpo, não só vista.
9. Inserts e adaptação: a última camada
No Adobe After Effects, fechamos com os inserts textuais que reforçam a narrativa em pontos-chave, frases do manifesto que aparecem na tela como âncoras de sentido. Depois, adaptação para outro formato: 9x16.
Um filme bem feito vive em múltiplos contextos. Mas ele só se adapta bem quando a narrativa é sólida desde o início.

O que esse projeto nos ensinou
Este filme foi inteiramente desenvolvido com IA: do manifesto à locução, das imagens geradas por prompts às animações de câmera, até chegar nas etapas finais de edição, color e motion no Premiere e After Effects. Não como experimento. Como método de trabalho real, com intenção, curadoria e direção em cada etapa.
Criar com IA generativa não elimina o processo criativo, ele o reorganiza. A estratégia precisa ser mais afiada, o briefing mais preciso, a curadoria mais rigorosa. Porque a ferramenta entrega exatamente o que você pede. E a qualidade do que você pede é o que define a qualidade do que você recebe.
No fim, o que esse filme tem não veio de nenhuma ferramenta. Veio de um manifesto com ponto de vista, de um time com repertório e de um processo que respeitou cada etapa.
Assista ao resultado a seguir:


