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Jan 8, 2026

A Advocacia brasileira já não é o que era — e isso começa pela idade

carreira jurídica

tecnologia

Fotografia simétrica de uma fachada arquitetônica imponente em concreto azul-acinzentado. No centro, uma faixa vertical escura desce até uma porta iluminada com uma luz amarela quente. A silhueta de uma pessoa caminha apressada pela calçada em frente à entrada, criando um contraste entre a escala humana e a monumentalidade do edifício
Fotografia simétrica de uma fachada arquitetônica imponente em concreto azul-acinzentado. No centro, uma faixa vertical escura desce até uma porta iluminada com uma luz amarela quente. A silhueta de uma pessoa caminha apressada pela calçada em frente à entrada, criando um contraste entre a escala humana e a monumentalidade do edifício

A advocacia brasileira passa por uma transformação estrutural relevante, ainda pouco percebida no debate público. Longe de se tratar apenas de mudanças pontuais, os dados demonstram que a própria base da profissão foi profundamente alterada. 

Hoje, a advocacia no Brasil é sustentada majoritariamente por profissionais em início de carreira, o que impacta diretamente as práticas profissionais, as expectativas em relação à atividade e o papel das instituições jurídicas.

Essa realidade contrasta com a imagem historicamente associada à advocacia, frequentemente compreendida como uma profissão de consolidação tardia, marcada por trajetórias longas e progressivas até o reconhecimento profissional.

Um novo perfil etário da advocacia brasileira

O 1º Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira, realizado pelo Conselho Federal da OAB em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), evidencia de forma objetiva essa mudança de perfil. De acordo com o levantamento, 33% dos advogadas e advogados brasileiros possuem até cinco anos de inscrição na OAB, enquanto 55% estão na faixa etária entre 24 e 44 anos.

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Esses números revelam que a advocacia brasileira é, em sua essência, uma profissão jovem. Trata-se de um contingente expressivo de profissionais que ingressaram no mercado em um contexto marcado por elevada competitividade, transformações tecnológicas aceleradas e novas concepções sobre trabalho, desempenho profissional e qualidade de vida.


Esse dado não representa apenas uma alteração demográfica, mas sinaliza uma redefinição gradual da forma de exercer a advocacia e de compreender seu valor social e econômico.Tecnologia e inteligência artificial como elementos estruturantes da nova advocacia

A advocacia jovem caracteriza-se, também, por sua proximidade com a tecnologia. Esses profissionais iniciaram sua trajetória em um ambiente já amplamente digitalizado e, mais recentemente, passaram a exercer a profissão em um cenário impactado pela consolidação das inteligências artificiais generativas a partir de 2022.

Para essa geração, a inteligência artificial tende a ser incorporada como ferramenta de apoio à atividade jurídica, contribuindo para a automatização de tarefas repetitivas, a organização de grandes volumes de informação e o aprimoramento da pesquisa jurídica. Nesse contexto, a IA não substitui o exercício intelectual da advogada e do advogado, mas amplia sua capacidade de atuação, permitindo maior dedicação a atividades estratégicas, analíticas e decisórias.

Além disso, o uso responsável dessas tecnologias aponta para uma advocacia com maior eficiência, melhor gestão do tempo e potencial incremento da qualidade de vida profissional, aspectos cada vez mais relevantes para as novas gerações e para os clientes que demandam serviços jurídicos mais ágeis e orientados à solução de problemas.

Leia mais: Do promissor ao inevitável: a presença crescente da IA no jurídico

O desafio da modernização jurídica

Diante do cenário de uma advocacia predominantemente jovem e tecnologicamente engajada, surge uma questão central: por que grande parte das estruturas da profissão ainda reflete modelos concebidos para uma realidade pregressa? Procedimentos, rotinas institucionais, formatos de capacitação e práticas organizacionais nem sempre acompanham a dinâmica e as necessidades desse novo perfil profissional.

O reconhecimento da juventude da advocacia deve ser compreendido como um dado estratégico para o planejamento institucional e para a formulação de políticas voltadas ao fortalecimento da profissão. A modernização da advocacia passa, necessariamente, pela compreensão de que o futuro da profissão já está em exercício, conduzido por profissionais formados em um ambiente marcado pela inovação tecnológica e por novas expectativas quanto ao sentido e ao impacto do trabalho jurídico.

No entanto, os números mostram que inovação e juventude não garantem automaticamente condições de trabalho satisfatórias. Dados recentes revelam que, apesar do entusiasmo com a tecnologia e da valorização de novas formas de atuação, a advocacia brasileira ainda enfrenta desafios significativos.

Condições de trabalho e expectativas

Apesar do entusiasmo com a tecnologia e da valorização de novas formas de atuação, a advocacia brasileira ainda enfrenta desafios significativos em termos de condições de trabalho e satisfação profissional. A pesquisa revela que a satisfação média com a atividade está em 6,3 (numa escala de 0 a 10), mas cerca de 52% dos advogados avaliam que as condições gerais para a atuação vêm piorando.

Quando se analisam fatores específicos, observa-se que remuneração, reconhecimento profissional e estrutura do Judiciário ocupam as últimas posições do ranking, com médias inferiores a 6 e baixos percentuais de avaliações positivas. A carga e o volume de trabalho, embora melhor avaliados, ainda apresentam índices modestos.

Essa percepção, no entanto, varia de forma expressiva entre gerações. Profissionais com mais de 20 anos de inscrição na Ordem demonstram maior pessimismo: 61% consideram que as condições pioraram ao longo do tempo. Entre advogados com menos de três anos de inscrição, esse percentual cai para 40%, revelando uma diferença clara de expectativas e experiências entre gerações.


Esses dados indicam que, mesmo em um cenário de modernização e inserção tecnológica, a advocacia precisa enfrentar questões estruturais profundas, que vão além das ferramentas digitais e refletem desafios históricos da profissão — desde a valorização do trabalho até a efetividade das instituições jurídicas.

Leia mais: Como as soft skills definirão a excelência jurídica na era da IA

A advocacia em sintonia com seu tempo

O último ano representou um ponto de inflexão para equipes e escritórios de advocacia em escala global. A adoção da inteligência artificial no setor jurídico avançou de maneira acelerada, consolidando-se como uma realidade operacional irreversível. De acordo com o relatório Legal Tech Trends (2026), em 2025 o uso de IA já alcançava 60% dos departamentos jurídicos corporativos, enquanto nos escritórios de advocacia o crescimento foi ainda mais expressivo: de 37% em 2024 para 80% em 2025. Entre grandes bancas, o movimento é praticamente universal, com escritórios com mais de 700 advogados registrando 100% de adoção.

Uma pesquisa global realizada pelo Google em parceria com a Ipsos revelou que o Brasil está acima da média mundial no uso de IA generativa. Segundo o levantamento, 54% dos brasileiros declararam ter utilizado ferramentas desse tipo em 2024, enquanto a média global foi de 48%. 

Um estudo realizado pelo Observatório Fundação Itaú em conjunto com a Datafolha (2025) revelou que o uso da inteligência artificial no dia a dia é fortemente concentrado entre os mais jovens: 38% das pessoas de 16 a 24 anos, 41% entre 25 e 34 anos e 38% entre 35 e 44 anos já incorporam a IA em suas rotinas cotidianas. Entre aqueles com mais de 60 anos, a presença da tecnologia cai para apenas 19%.

Em síntese, os dados confirmam que a inteligência artificial já se consolidou como parte integrante da prática jurídica, com adoção ampla e acelerada no Brasil e no cenário internacional. O maior engajamento das gerações mais jovens reforça o caráter irreversível dessa transformação, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de capacitação contínua para garantir um uso eficiente e responsável da tecnologia no setor jurídico.

A advocacia em transformação

A advocacia brasileira, portanto, não é apenas mais jovem — ela opera sob um novo paradigma de pensamento, atuação e tomada de decisão. À medida que o perfil profissional e os modelos de formação evoluem, também se transformam as ferramentas, os métodos e os critérios que orientam a prática jurídica.

A experiência global mostra que escritórios, empresas e instituições de ensino devem trabalhar em parceria para preparar advogados capazes de atuar de forma estratégica em um mercado cada vez mais digital e automatizado.

A jovem advocacia brasileira já atua nesse novo cenário, mas para que seu potencial seja plenamente realizado, é preciso que estruturas, métodos e instituições evoluam em sintonia com o futuro que já chegou. Mais do que uma mudança demográfica ou tecnológica, essa é uma transformação cultural: uma advocacia que mantém seus valores essenciais, mas que se reinventa para atender às demandas contemporâneas e para exercer, de forma inovadora, seu papel social e econômico no Brasil e no mundo.

Uma imagem em tons escuros de uma flor azul, com pétalas delicadas e um miolo em tons de roxo, em um fundo preto.

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