Jan 12, 2026
Além da eficiência: 4 perspectivas estratégicas sobre a IA em 2026, segundo especialistas de Harvard
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Em 2026, a Inteligência Artificial ocupa um papel central nas estratégias organizacionais, sendo amplamente reconhecida por sua capacidade de aumentar a produtividade, otimizar processos e automatizar tarefas. No entanto, essa visão predominante, focada nos ganhos de eficiência, ignora os efeitos de segunda ordem que a tecnologia pode gerar.
Especialistas da Harvard Business School (HBS) no artigo AI Trends for 2026, alertam que os verdadeiros desafios e oportunidades da IA não estão apenas em sua aplicação técnica, mas em como ela transforma a experiência humana no trabalho e redefine as dinâmicas organizacionais. Este artigo apresenta quatro insights estratégicos que desafiam a visão convencional sobre a IA, destacando a necessidade de uma liderança preparada para navegar as complexidades humanas e organizacionais dessa transformação.
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Quatro verdades estratégicas sobre a IA
O paradoxo da eficiência: quando a automação reduz o significado do trabalho
A busca por eficiência, embora essencial, pode gerar consequências inesperadas. Segundo Jon M. Jachimowicz, professor da HBS, a automação de tarefas, como o atendimento ao cliente, pode criar uma desconexão psicológica entre os trabalhadores e os beneficiários finais de seu trabalho. Essa distância reduz o senso de propósito, um dos principais motivadores de engajamento e produtividade.
Quando o significado do trabalho é comprometido, os ganhos de eficiência podem ser neutralizados por uma queda no esforço e na motivação dos colaboradores. Assim, lideranças precisam equilibrar a automação com estratégias que preservem o valor humano no trabalho.
A valorização das relações humanas em um mundo automatizado
Com a IA assumindo tarefas analíticas e operacionais, o diferencial competitivo migra para habilidades exclusivamente humanas, como julgamento, empatia e construção de confiança. David Fubini, palestrante sênior da HBS, destaca que, em setores como serviços profissionais, o impacto genuíno no cliente dependerá cada vez mais da capacidade de profissionais atuarem como conselheiros confiáveis.
A ascensão da IA, portanto, não diminui a relevância do trabalho humano, mas eleva a importância de competências interpessoais e estratégicas que a tecnologia não pode replicar.
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A sequência estratégica no uso da IA e seu impacto na inovação
Jacqueline Ng Lane, professora da HBS, enfatiza que a ordem de aplicação das ferramentas é um fator crítico para a inovação. A IA preditiva, baseada em dados históricos, é ideal para soluções de alta qualidade, enquanto a IA generativa, que explora novas conexões, favorece a diversidade de ideias.
A escolha e a sequência de uso dessas tecnologias devem ser alinhadas aos objetivos estratégicos da organização, seja para inovação incremental em setores consolidados ou para avanços disruptivos em mercados emergentes.
Aptidão para a mudança: o verdadeiro diferencial competitivo
Tsedal Neeley, professora e reitora associada sênior da HBS, introduz o conceito de aptidão para a mudança (change fitness) como a capacidade organizacional de absorver e metabolizar transformações contínuas. Com a IA se tornando o núcleo dos fluxos de trabalho, essa aptidão se torna essencial em três níveis:
Individual: curiosidade e adaptabilidade para trabalhar em colaboração com a tecnologia.
Equipe: novos padrões de colaboração e clareza de papéis em um ambiente híbrido humano-máquina.
Organizacional: infraestruturas modernas, governança robusta e liderança que trata a IA como uma transformação estratégica, e não apenas como uma ferramenta.
O imperativo para os líderes em 2026 é tratar a change fitness como uma capacidade central, investindo em alfabetização em IA e recompensando a velocidade do aprendizado.
Repensando o futuro do trabalho
A verdadeira integração da IA em 2026 será menos sobre a implementação de tecnologia e mais sobre a navegação em complexas mudanças humanas, estratégicas e organizacionais. Para ter sucesso, os profissionais devem não apenas orquestrar as ferramentas da inovação, mas também gerenciar o próprio significado do trabalho, cultivar os relacionamentos que a tecnologia não pode substituir e construir a resiliência organizacional fundamental para lidar com essa evolução constante.
À medida que a IA se torna onipresente, a pergunta mais importante talvez não seja "o que a tecnologia pode fazer por nós?", mas sim "que tipo de trabalho e que tipo de mundo queremos construir com ela?".




