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4 de fev. de 2026

IA na advocacia e o combate ao burnout no exercício profissional

carreira jurídica

inteligência artificial

Uma poltrona de design moderno e minimalista com assento branco e pés de madeira clara, posicionada em uma sala ampla e vazia. Ao fundo, uma grande janela de vidro revela a silhueta de uma metrópole sob uma névoa suave
Uma poltrona de design moderno e minimalista com assento branco e pés de madeira clara, posicionada em uma sala ampla e vazia. Ao fundo, uma grande janela de vidro revela a silhueta de uma metrópole sob uma névoa suave

O debate sobre saúde mental deixou definitivamente de ocupar um espaço periférico e passou a integrar o núcleo das discussões sobre performance, liderança e sustentabilidade profissional. Não se trata mais de um tema acessório ou de cunho meramente individual, mas de uma variável estrutural que impacta diretamente a longevidade das carreiras e das organizações.

Nesse contexto, o estudo conduzido pela Endeavor Brasil em 2024, divulgado pela Exame, trouxe um dado que impõe reflexão imediata: 94% dos empreendedores brasileiros já enfrentaram algum tipo de adoecimento mental ao longo de sua trajetória profissional.

Embora o levantamento tenha se concentrado em fundadores de startups e scale-ups, suas conclusões dialogam de forma direta e quase inevitável com a realidade da advocacia contemporânea, especialmente entre pessoas que são sócias de escritórios, advogados empreendedores e gestores jurídicos, que operam sob lógica semelhante de alta pressão, responsabilidade concentrada e tomada de decisão contínua.

A lógica da alta performance, quando dissociada de práticas minimamente estruturadas de gestão, autocuidado e organização do trabalho, até pode gerar resultados financeiros no curto prazo. No entanto, cobra um preço elevado no médio e longo prazo — humano, institucional e econômico — frequentemente invisível até que seus efeitos se tornem incontornáveis.

Quando a alta performance cobra um preço invisível

O estudo revelou indicadores preocupantes:

  • 85,6% relataram ansiedade

  • 37% vivenciaram burnout

  • 21% enfrentaram depressão

  • 22% sofreram ataques de pânico

Esses números desenham o retrato de um ecossistema que glorifica o crescimento acelerado, a disponibilidade permanente e a resiliência extrema — valores que, não por acaso, estão profundamente enraizados também na cultura jurídica tradicional.

A advocacia vive o mesmo problema (ou pior)

No universo jurídico, o discurso da vocação, da entrega total ao cliente e da disponibilidade irrestrita segue amplamente romantizado. Jornadas superiores a 10 ou 12 horas diárias, trabalho contínuo aos finais de semana e a ausência de pausas estruturadas ainda são tratados como parte natural da profissão.

Os dados, contudo, exigem uma análise objetiva e desapaixonada. Pesquisa realizada pela Rev em 2025 aponta que 4 em cada 5 advogados já apresentaram sintomas de burnout. Mais do que isso: 79,8% dos profissionais jurídicos relataram ter vivenciado a condição no último ano.

É fundamental diferenciar o cansaço pontual — inerente a qualquer atividade intelectual intensa — desse fenômeno ocupacional. O burnout decorre de estresse crônico não gerenciado e se manifesta, de forma consistente, por três eixos principais:

  • Exaustão profunda, caracterizada por um esgotamento de energia que o descanso comum já não reverte;


  • Desapego mental, traduzido em cinismo, distanciamento emocional ou negatividade em relação à prática jurídica;

  • Declínio na eficácia profissional, com a sensação persistente de perda de competência, propósito e realização.

A gravidade do cenário se intensifica quando comparada à média do mercado de trabalho: enquanto o índice geral de burnout gira em torno de 44%, na advocacia esse número praticamente dobra. Ainda mais preocupante é o recorte geracional: 46% dos profissionais com até 10 anos de carreira já sofrem com esse esgotamento, colocando em risco a formação das futuras lideranças jurídicas e a sustentabilidade das bancas no longo prazo.

O resultado é um ambiente altamente propício ao adoecimento mental silencioso, frequentemente normalizado, minimizado ou até valorizado dentro da profissão.

Leia mais: A transformação da carreira jurídica

Os principais fatores de adoecimento mental no exercício da advocacia

O que tem drenado a energia — e, em muitos casos, a própria vocação — do profissional do Direito contemporâneo não é, via de regra, a complexidade da tese jurídica ou o desafio intelectual do caso. O fator central é a tirania das tarefas operacionais e administrativas.

Atividades como faturamento, organização de documentos, transcrição, triagem de informações e rotinas burocráticas consomem o tempo que deveria ser dedicado à estratégia, ao cliente e à tomada de decisões qualificadas.

Os dados são reveladores:

  • 49% dos profissionais jurídicos gastam sete horas ou mais por semana em tarefas não especializadas;

  • 28% desse grupo dedica mais de dez horas semanais exclusivamente a demandas administrativas.

Essa sobrecarga é ainda mais severa no topo da hierarquia: 87% dos sócios-diretores afirmam que tarefas administrativas interferem diretamente em suas funções estratégicas essenciais, comprometendo a liderança, a visão de longo prazo e a gestão do escritório.

A IA como antídoto

Diante desse cenário, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a representar o único caminho escalável para romper o ciclo de exaustão. Entre os 54% dos profissionais que já utilizam soluções de inteligência artificial, o impacto é imediato e mensurável: redução direta dos níveis de estresse e sobrecarga mental.

A proposta de valor da IA é dupla:

  • Eliminar ou reduzir drasticamente tarefas operacionais repetitivas, devolvendo tempo ao advogado e advogada;

  • Restaurar foco cognitivo e energia mental para atividades de alto valor jurídico e humano.

Leia mais: Repensando o trabalho jurídico na era da inteligência artificial

O futuro do Direito é humano, mas assistido

A inteligência artificial não veio para substituir o núcleo do Direito. Ela não possui a empatia necessária para acolher um cliente em situação de vulnerabilidade, tampouco o discernimento ético exigido para lidar com dilemas morais complexos. Seu papel é distinto: retirar do profissional o peso das tarefas operacionais para que ele possa exercer, com plenitude, as funções essencialmente humanas da profissão.

O futuro da advocacia pertence aos profissionais que utilizam a tecnologia como suporte, e não como substituto. Ao delegar à IA aquilo que não demanda julgamento jurídico, o advogado recupera tempo, clareza mental e, sobretudo, a própria vocação.

A reflexão final é inevitável. Você está apenas trabalhando mais ou, de fato, trabalhando melhor? Em última análise, a eficiência proporcionada pela IA pode se tornar a ferramenta mais humanizadora que o Direito já incorporou, permitindo que o profissional deixe de apenas sobreviver à profissão e passe a exercê-la com liderança, consciência e sustentabilidade.

Uma imagem em tons escuros de uma flor azul, com pétalas delicadas e um miolo em tons de roxo, em um fundo preto.

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