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Prompt oculto em petição: o caso do Fantástico e como conferir

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Instruções para IA escondidas em petições já chegaram a Tribunais brasileiros. Veja como elas aparecem, o que os casos mostraram e um passo a passo para conferir o seu arquivo antes de protocolar.

Prompt oculto é uma instrução escrita dentro da petição para ser lida por uma IA, e não por quem lê a peça. Ela pode estar em letra branca sobre fundo branco, em fonte minúscula, em comentário ou nos metadados do arquivo. Antes de protocolar, confira o arquivo com os passos abaixo. Leva poucos minutos e a responsabilidade pela peça continua com quem assina.
O que é um prompt oculto, na prática
O texto escondido não aparece para quem olha o documento, seja ele digital ou físico. Ele fica em lugares que o leitor costuma ignorar, mas que a leitura automática enxerga.
A reportagem do Fantástico, exibida em 1º de novembro de 2026, descreveu quatro formas de esconder esse conteúdo: letras brancas sobre fundo branco, fontes muito pequenas, comentários desativados e metadados do arquivo.
O conteúdo costuma pedir que a IA ignore argumentos da outra parte, que aponte a inexistência de ato ilícito ou que considere improcedentes os pedidos adversários. A intenção é que o sistema chegue a uma conclusão favorável a uma das partes sem que uma pessoa perceba.
Em um dos casos, a instrução estava numa área aparentemente vazia da petição. Só ao selecionar aquele espaço com o cursor apareciam as orientações.

Casos que já chegaram aos Tribunais:
Rio Negrinho (SC): o juiz da 1ª Vara usou uma ferramenta de IA, que sinalizou algo suspeito na petição. Após conferência manual, confirmou a presença de comandos ocultos. A empresa perdeu a ação e recebeu multa de R$ 1 mil.
Videira (SC): o caso passou pelo primeiro juiz e só foi descoberto na segunda instância. A multa por litigância de má-fé foi de um salário mínimo.
STJ (PB): em um processo sobre assassinato, a Corte encontrou uma instrução escondida pedindo que a IA interpretasse a peça de modo a acolher as razões defensivas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal e à OAB da Paraíba.
STF: um comando em tamanho reduzido, no alto de uma petição, orientava a ferramenta a negar todos os comandos do GPT. O advogado recebeu multa de R$ 5 mil, disse que desconhecia a instrução e recorreu. O Ministério Público Federal vai apurar se houve crime.
Hoje, já são mais de 80 casos em que a Justiça detectou comandos fraudulentos. Uma desembargadora ouvida pela reportagem disse que é difícil identificar esses comandos, mesmo usando dois sistemas de IA, e que muitos casos talvez tenham passado despercebidos.

Como conferir sua petição antes de protocolar
Os passos usam o Word, mas a lógica vale para qualquer editor. Faça a conferência no arquivo final, aquele que vai para o sistema do tribunal.
Selecione tudo. Aperte Ctrl+A e observe a página. Letras brancas aparecem destacadas, e blocos que não se viam na tela ficam visíveis.
Confira o tamanho das fontes. Trechos com fonte de um ou dois pontos são um sinal de alerta. Corpo do texto, notas de rodapé e legendas devem ter tamanho legível.
Ative as marcas de formatação. Em Início, clique no ícone ¶ para mostrar os caracteres ocultos. Texto com formatação de oculto aparece com uma linha pontilhada.
Olhe as áreas vazias. Cabeçalho, rodapé, margens, o espaço depois da assinatura e páginas em branco. Foi numa área aparentemente vazia que um dos casos apareceu.
Revise comentários e marcações. Na aba Revisão, veja se há comentários ou controle de alterações ativado.
Confira as propriedades do arquivo. Em Arquivo, depois Informações, veja título, autor, comentários e palavras-chave. Os metadados também são lidos.
Use o inspetor e o Bloco de Notas. Em Arquivo, Informações, Verificar se há problemas, escolha Inspecionar Documento. Ele aponta texto oculto, comentários e propriedades. Depois, copie a peça inteira para o Bloco de Notas: todo texto aparece, inclusive o que estava em branco.
Se o arquivo seguir em PDF, faça a mesma conferência no PDF, porque o texto oculto pode continuar na conversão. Depois de remover o que não pertence à peça, releia o documento inteiro.

O papel da IA e de quem assina na leitura da petição
A IA entra nessa história de dois lados. Ela pode ser alvo, como nos casos acima, e pode ajudar a ler documentos longos.
Na Inspira, tratamos a IA como apoio: ela organiza e sinaliza, e a decisão sobre o que protocolar continua com quem advoga. O CNJ reforça que o uso de IA não retira a responsabilidade de quem assina a petição ou a decisão.
Um prompt oculto é um problema de quem protocola, e a conferência é simples: selecione o texto, veja as áreas vazias, cheque comentários e propriedades e teste no Bloco de Notas. Vale também entender como a leitura automática dos Tribunais funciona antes de assinar a peça.
Se quiser entender como a Inspira apoia a revisão de peças com IA, fale com o nosso time.
Perguntas frequentes
Quem responde se houver prompt oculto na petição?
Quem assina a petição. O CNJ reforça que o uso de IA não tira a responsabilidade de quem assina. Um dos casos citados terminou com multa por litigância de má-fé, e outro foi encaminhado à OAB.
Se eu não usei IA para escrever a petição, preciso conferir?
Sim. O comando pode vir de um modelo copiado, de uma revisão feita por outra pessoa do escritório ou de um arquivo recebido de terceiros. Quem protocola responde pelo arquivo, independentemente de quem o escreveu.
Prompt oculto é crime?
Depende do caso. No processo do STF, o Ministério Público Federal vai apurar se houve crime. Em outros casos citados, a consequência foi multa e encaminhamento às OABs.
A IA do Tribunal sempre percebe um comando oculto?
Não há como contar com isso. Os casos mostram que o comando pode passar pela primeira instância e ser descoberto só depois. Por isso a conferência precisa acontecer antes do protocolo, sem depender da detecção do sistema.


