6 de fev. de 2026
IA no jurídico: o tempo deixa de ser apenas um custo e passa a ser um ativo estratégico
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inteligência artificial
A discussão sobre inteligência artificial no setor jurídico costuma orbitar em torno de automação, produtividade e eficiência. Embora esses aspectos sejam relevantes, eles representam apenas a superfície de um fenômeno muito mais profundo. A IA no jurídico não é apenas uma ferramenta operacional — ela se consolidou como uma variável econômica determinante, capaz de impactar diretamente a remuneração de advogadas e advogados, a rentabilidade dos escritórios e a percepção de valor dos serviços jurídicos.
Para profissionais que atuam em um mercado cada vez mais competitivo, compreender o impacto financeiro da inteligência artificial deixou de ser opcional. Trata-se de uma questão estratégica, com reflexos diretos na carreira, no faturamento e na sustentabilidade do negócio jurídico.
Leia mais: Do promissor ao inevitável: a presença crescente da IA no jurídico
Da eficiência operacional ao impacto financeiro direto
Historicamente, a advocacia sempre converteu tempo em valor. Horas trabalhadas, complexidade técnica e senioridade eram os principais pilares da precificação. A inteligência artificial rompe parcialmente essa lógica ao reduzir drasticamente o tempo necessário para tarefas de alto valor cognitivo, como pesquisa jurídica, análise contratual e revisão de documentos.
Essa redução de tempo não implica, necessariamente, redução de valor. Pelo contrário: escritórios e profissionais que dominam IA conseguem entregar mais qualidade, com maior previsibilidade e menor custo operacional, ampliando margens e competitividade.
O tempo jurídico deixa de ser apenas um custo e passa a ser um ativo estratégico, redefinindo a forma como o valor é criado e percebido no mercado.
A transformação do profissional em ativo econômico
Na prática, a IA desloca o foco da advocacia do tempo gasto para a capacidade de resolver problemas complexos com rapidez, precisão e escala. Essa mudança exige uma revisão profunda do posicionamento profissional e do modelo econômico da advocacia.
É nesse contexto que surge o conceito do super employee (super empregado).
A ascensão do super employee no jurídico
O conceito de super employee o é central para compreender a nova lógica de lucratividade no setor jurídico. Trata-se do profissional tecnologicamente avançado que, apoiado por ferramentas e agentes de inteligência artificial, permite ao escritório aumentar drasticamente o volume de trabalho entregue com equipes reduzidas.
Esse profissional não é apenas um advogado mais rápido. Ele atua como uma verdadeira unidade de negócio. Ao utilizar agentes de IA para gerir etapas que vão da captação de clientes à entrega final do serviço, esse profissional opera com custos operacionais significativamente menores e com capacidade de escala próxima à industrial.
Essa eficiência marginal elevada explica por que o mercado remunera de forma diferenciada profissionais com domínio estratégico de IA. O ganho não está apenas na produtividade individual, mas na capacidade de gerar margens superiores às de equipes inteiras compostas por modelos tradicionais de trabalho.
Leia mais: Repensando o trabalho jurídico na era da inteligência artificial
IA no jurídico e valorização profissional: o que dizem os dados de mercado
Dados recentes publicados pela Law Leaders (2025) revelam um movimento claro no mercado americano: advogados que possuem competências associadas ao uso de inteligência artificial recebem, em média, um prêmio salarial de até 56% em comparação com seus pares que não dominam essas habilidades.
O estudo demonstra que o mercado jurídico já precificou o valor econômico da IA. Não se trata de uma aposta futura, mas de uma realidade atual: conhecimento em IA se converte diretamente em remuneração mais alta e maior poder de negociação profissional.
Essa valorização não é arbitrária, ela responde à regra dos 80%. Estimativas do Goldman Sachs apontam que até 80% das tarefas jurídicas — como revisão documental, pesquisa e redação — já são passíveis de automação total.
Diante desse cenário, a inteligência artificial deixa de ser um tema periférico ou tecnológico e passa a ocupar o centro das decisões estratégicas da advocacia. O mercado já demonstrou, por meio de dados concretos, que profissionais capazes de integrar IA ao exercício jurídico ampliam sua relevância econômica, sua capacidade de entrega e seu poder de negociação.
A advocacia entra, assim, em uma nova fase: menos orientada ao esforço visível e mais focada em inteligência aplicada, escala e geração de valor. O tempo, antes tratado apenas como custo operacional, transforma-se em ativo estratégico, gerido, potencializado e alavancado por tecnologia.
Para advogadas e advogados, o domínio da IA não representa apenas eficiência, mas sobrevivência econômica e posicionamento de longo prazo. Em um mercado que já precificou essa competência, a escolha não está entre adotar ou não a inteligência artificial, mas entre liderar essa transformação ou absorver passivamente seus efeitos.





