legaltech
ia no direito
mercado
Legal Geek 2026: os temas que a advocacia europeia levou ao palco

•
Mais de cinco mil profissionais do Direito se reuniram em Londres para discutir tecnologia, preço, dados e revisão do trabalho feito com IA. Veja os temas da programação do Legal Geek 2026 e o que dá para aplicar no seu escritório.

O Legal Geek 2026 reuniu mais de cinco mil profissionais do Direito em Londres, nos dias 14 e 15 de outubro. A programação mostra escritórios europeus em uma fase mais madura de uso da IA, discutindo quatro temas principais:
Como escolher tecnologia
Como precificar quando o trabalho fica mais rápido
Por que dados organizados vêm antes da IA
Como organizar a revisão do que ela produz
Para quem acompanha o mercado brasileiro, essa agenda ajuda a antecipar as próximas conversas.
O que é o Legal Geek e por que olhar para a programação
O Legal Geek é uma das maiores conferências de legaltech da Europa. Há oito anos acontece no Old Truman Brewery, um antigo complexo de cervejaria em Shoreditch, e a edição de 2026 teve quatro palcos e mais de 150 sessões entre palestras, painéis, workshops e mesas-redondas de cerca de vinte pessoas. A abertura do primeiro dia ficou com Sir Geoffrey Vos, Master of the Rolls, o magistrado que preside a jurisdição civil da Inglaterra e do País de Gales.
Por que olhar para a programação, e não para os anúncios? Porque anúncio mostra o que as empresas querem vender. A grade mostra o que advogadas, advogados e lideranças jurídicas pagaram ingresso para discutir.
Usamos aqui a curadoria de sessões publicada pela Point One antes do evento, que selecionou os encontros sobre IA e precificação. Na Inspira, lemos programação de evento como quem lê pauta de julgamento: ela diz o que está em jogo antes da decisão sair.

Os quatro temas que dominaram a agenda do Legal Geek 2026
Comprar, construir ou descartar
Duas palestras do primeiro dia trataram da mesma dúvida. Caroline Hill, do Legal IT Insider, apresentou Buy, Build or Bin? What the Data Really Tells Us About Legal Tech, com dados sobre como firmas decidem entre comprar uma ferramenta pronta, desenvolver a própria ou abandonar o que não funcionou. Nicole Bradick levou ao palco uma variação do tema, incluindo a parceria como terceira via.
No segundo dia, um workshop com nomes da Everlaw, da Grant Thornton UK e do escritório norueguês Wikborg Rein tinha um título que diz muito: Stuck in Pilot? (preso no piloto?).
Quando o mesmo assunto aparece três vezes na grade, é sinal de que a fase de experimentar está dando lugar a escolhas mais criteriosas. O escritório decide o que vira rotina, o que faz sentido manter em casa e onde uma solução especializada já resolve melhor.
A hora faturada na berlinda
A precificação ocupou ao menos três sessões. Um painel inteiro do segundo dia discutiu cobrança por valor, risco e eficiência. Harry Black, da Clio, falou sobre a passagem do preço fixo para a confiança do cliente. E Lucy Shurwood, da Simmons & Simmons, perguntou se o setor não está medindo as coisas erradas: contagem de login e de licença é fácil de reportar, mas diz pouco sobre se quem advoga trabalha mais rápido ou cobra de outro jeito.
O pano de fundo já estava documentado. O relatório anual de finanças de 2026 da BigHand mostrou firmas registrando menos horas faturáveis, mais write-offs (horas trabalhadas que não chegam à fatura) e, ainda assim, planejando metas de horas mais altas. Detalhamos esse paradoxo no nosso artigo sobre IA e lucratividade dos escritórios.
Dados governados antes de IA
Marcus Ong, da OneAdvanced, apresentou Why Data Not AI Will Define the Future of Legal Services. O argumento: dados governados, isto é, organizados, com dono e com regra de acesso, são a base real de qualquer automação em escritório.
Parece óbvio. É também onde muitos projetos travam.
A informação que importa costuma estar espalhada entre pastas de rede, anexos de e-mail, PDFs escaneados e sistemas de acompanhamento processual que não conversam entre si. Quem organiza essa base antes de colocar IA em cima dela colhe resultados mais consistentes desde o primeiro dia.

Quem responde pelo que a IA produz
A sessão Closing the Accountability Gap in AI-Assisted Legal Work, com Johanei Venter, da Radiant Law, e Jaimini Shah, da FactSet, tratou de quem revisa e assina o trabalho feito com apoio de IA. O recorte inclui até os lançamentos de horas e as pré-faturas, o que liga esse tema direto ao debate de precificação.
A pergunta é simples de fazer e difícil de responder dentro de uma firma grande: quando a IA prepara a primeira versão, quem confere, em que momento e com que critério?
O que essa agenda mostra sobre a advocacia europeia
Os títulos das sessões contam uma história coerente. Christian Bartsch, da Bird & Bird, falou sobre onde pessoas, julgamento e cultura seguem fazendo diferença em Human Advantage: Leading Law Firms in the Age of AI, e voltou ao tema no painel Leading the Modern Law Firm, ao lado de lideranças da Mills & Reeve e da TLT. John Bennett, da Melius, conduziu um workshop sobre o papel dos escritórios daqui para frente.
A nossa leitura: a advocacia europeia já trata a IA como parte da rotina e passou a discutir como tirar o melhor dela. Quando a pesquisa e a primeira versão ficam mais rápidas, ganha espaço aquilo que sempre esteve no centro do trabalho jurídico: o julgamento, a relação de confiança com o cliente e a responsabilidade de quem assina. É uma agenda que coloca o escritório no centro da mudança.

O que a agenda do Legal Geek diz para quem usa IA jurídica no Brasil
Os quatro temas de Londres chegam aqui com outra escala e outro sotaque, mas chegam. Três deles conversam direto com a forma como construímos a Inspira.
O primeiro é a base. Uma IA jurídica é tão confiável quanto as fontes que consulta, e por isso a Inspira trabalha sobre uma base de 90 milhões de decisões de 100 Tribunais, com curadoria feita por quem entende de Direito. É o argumento de Marcus Ong aplicado à pesquisa jurisprudencial.
O segundo é a responsabilidade. Na Inspira, a IA encontra, organiza e prepara a primeira versão; quem advoga revisa, decide e assina. Essa divisão de papéis é o que fecha a lacuna discutida na sessão da Radiant Law, e ela precisa estar clara antes de qualquer ganho de velocidade virar preço.
O terceiro é a métrica. Medir apenas licenças ativas não revela o real impacto da IA. O essencial é avaliar onde o tempo economizado é reaplicado: em estratégia, no atendimento ao cliente ou em maior volume produtivo. Para entender esses movimentos globais, reunimos as principais tendências de legaltech em 2026.
Perguntas frequentes
O que é o Legal Geek?
O Legal Geek é uma conferência anual de legaltech realizada em Londres, uma das maiores da Europa. Reúne profissionais de escritórios, departamentos jurídicos e empresas de tecnologia em palestras, painéis e workshops sobre inovação no Direito.
Quando e onde aconteceu o Legal Geek 2026?
O Legal Geek 2026 aconteceu nos dias 14 e 15 de outubro de 2026, no Old Truman Brewery, em Shoreditch, Londres. Foram quatro palcos, mais de 150 sessões e mais de cinco mil participantes.
A IA está acabando com a cobrança por hora nos escritórios?
Ainda não, mas a pressão é mensurável. No relatório anual de finanças de 2026 da BigHand, com mais de 800 lideranças de finanças e do jurídico, quase dois terços das firmas relataram queda nas horas faturáveis, 89% registraram aumento de write-offs e 99% planejam elevar as metas de horas mesmo assim. Os dados são do próprio fornecedor.
O que são dados governados e por que importam para a IA jurídica?
São dados organizados, com responsável definido e regras claras de acesso e atualização. Sem essa base, a IA jurídica trabalha sobre informação incompleta ou duplicada e devolve resultados inconsistentes, mesmo com um bom modelo por trás.
Quem é responsável pelo trabalho jurídico feito com apoio de IA?
Quem advoga. A IA pode pesquisar, organizar e preparar uma minuta revisável, mas a revisão, a decisão sobre a tese e a assinatura continuam sendo da advogada ou do advogado responsável. Definir quem confere cada etapa é parte da governança do escritório.
O que levar do Legal Geek 2026 para a rotina do escritório
A agenda de Londres vira prática com alguns passos simples:
Antes de contratar ou desenvolver uma ferramenta, defina qual uso precisa sair do piloto e virar rotina.
Organize as fontes que a equipe já consulta antes de colocar IA em cima delas.
Deixe claro quem revisa o que a IA prepara, e em que momento do fluxo.
Na hora de medir, olhe para o tempo devolvido à estratégia e ao cliente, e não só para o número de acessos.
Fizemos um exercício parecido com as lições do SXSW 2026, outro evento que ajuda a ler para onde o mercado vai.
Se a sua equipe quer começar pela base, conheça como a Inspira organiza a pesquisa jurisprudencial sobre 90 milhões de decisões e agende uma demonstração.


